
De onde vem a pobreza do Piauí?
Conhecendo um pouco da história do Piauí, torna-se irrefutável que a situação de estagnação econômica do estado não é recente. Quando os desbravadores preadores de índios por aqui chegaram, a situação não era das melhores. A sociedade piauiense se caracterizou por muito tempo pela existência de grandes fazendas isoladas uma das outras. Nem mesmo no tempo das “vacas gordas” o estado gozava de grande prestígio nacional. O gado não significou nossa arrancada para o desenvolvimento social. O que marcou o surgimento da sociedade piauiense propriamente dita, foi na realidade as grandes desigualdades sociais. Os grandes fazendeiros latifundiários eram na verdade a sociedade piauiense. Preservação ambiental era coisa desconhecida, e o Piauí já era pobre.
Essa breve explanação serve de base para mostrar que a pobreza em nosso estado não possui nenhuma ligação com a questão da preservação ambiental. Antes da implantação de parques ambientais, o Piauí já era pobre. As causas da pobreza em nosso estado são evidentes: a má gestão histórica por parte de nossos governantes. Preservação ambiental no Piauí é coisa recente. Mas aqueles que são contra o meio ambiente e a favor dos grandes capitalistas e não possuem argumentos para a situação de calamidade social do estado, colocam a culpa de forma inescrupulosa na criação de parques. Que controvérsia, o meio ambiente como vilão. Acharam um “bode expiatório” para nossa pobreza. Mas sabemos, o vilão são eles próprios. Governantes que se apóiam em conchavos políticos em detrimento a qualidade de vida da população. Onde já se viu, governantes e órgãos governamentais de meio ambiente contra a preservação da natureza.
Vejam só, até parece brincadeira, mas não é. O Piauí, é um dos poucos estados brasileiros, se não o único, onde o “pitoresco” é algo corrente. Dá pra imaginar um estado onde os órgãos responsáveis pela preservação do meio ambiente são contra a criação de Unidades de Conservação? Parece piada, mas não é. É o Piauí. O governo culpa o meio ambiente pela pobreza do estado, e o que é pior culpa os pobres pela degradação ambiental. Segundo o governo, os pobres são os que mais depredam o meio ambiente. E os grandes empreendimentos nos cerrados? E os grandes projetos que transformam florestas nativas em carvão? O que dizer deles? Afinal de contas de que lado está o governo? Pelo menos para a última pergunta a resposta não parece embaraçosa.
Como se não bastasse a devastação dos cerrados piauienses para a produção de soja, uma das nossas mais raras belezas naturais, a Serra Vermelha estava com os dias contados. Disfarçado de manejo florestal sustentavel, o projeto ironicamente chamado de “Energia Verde”, pretendia transformar 78 mil hectares de floresta nativa em carvão. O governo do Piauí recebeu de braços abertos os forasteiros desmatadores. Talvez para justificar nossa fama de povo pacato e acolhedor. Mas não precisava tanto. O governo concedeu 12 anos de isenção fiscal ao projeto de desmatamento. O IBAMA – PI e a SEMAR, licenciaram e aprovaram o crime ambiental. Agora com a iminente criação do Parque Nacional da Serra Vermelha, os pseudos defensores do meio ambiente, ainda defendem de forma nefasta a legalidade do projeto. São contra a preservação do meio ambiente.
Não fosse a luta e a coragem dos ambientalistas piauienses o Piauí estaria totalmente devastado. Esses órgãos “ambientalistas” a serviço do capital, nada sabem, nada ouvem e nada vêem. Não sabem que a região da Serra Vermelha possui resquícios de Mata Atlântica, além de cerrado e caatinga. Não sabem que a região está incluída entre as áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade brasileira. E nem mesmo que a mata atlântica possui lei específica. E se não sabem também, a própria ministra do meio ambiente ratificou a presença da mata atlântica no Piauí. Será que eles são tão desenformados assim? Eu particularmente desconfio de tudo isso.
Como se não bastasse, agora eles trazem a tona a teoria de que a criação do parque inviabilizaria a criação do Estado do Gurguéia. Afirmam que as famílias serão desalojadas e que não terão de volta os empregos conseguidos com o projeto Energia Verde. Na realidade, a geração de emprego e a melhoria da qualidade de vida da população, é papel do estado. E se hoje existem famílias vivendo em condições sub-humanas na região, isso se deve ao fato de que o próprio governo não possui competência para implantar uma política social que não seja a do assistencialismo. O governo através desse “terrorismo psicológico” tenta a qualquer custo colocar o meio ambiente como entrave ao desenvolvimento do estado e como culpado maior pela situação de pobreza de nosso povo.
Reginaldo Muniz Soares
Geógrafo
Coordenador do Projeto Mosaico
Região da Serra da Ibiapaba-Sobral
2 comentários:
Realmente a hipocrisia e descaso dos governantes e principalmente no Piauí quanto a preservação ambiental é no mínimo vergonhosa,e de acordo com o artigo ,o governo apoia-se na idéis que a preservação de áreas ambientais dificulta o desenvolvimento social,muito pausível o comentário do professor Reginaldo em favor da preservação e conseravação do meio ambiente piauiense.
Ainda não tinha visto esse site e, achei muito cabível o comentário aqui postado. Pois é muito mais fácil os governantes porem a culpa nas classes mais baixas pela degradação ambiental q acontece no estado, onde o governo deveria ser o principal defensor, pois é onde temos o Delta do Parnaíba, mas só defendem os intereses capitalistas.
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