
2º Encontro dos Povos das Florestas começa nesta terça-feira (18/9)
Índios, seringueiros, ribeirinhos, pescadores, quebradeiras de coco e representantes de organizações da sociedade civil retomam uma aliança histórica: o 2º Encontro Nacional dos Povos das Florestas, que começa nesta terça-feira (18) e prossegue até domingo (23), em Brasília. A cerimônia de abertura ocorre na terça (18), às 19 horas, no Teatro Nacional, Sala Villa-Lobos, com o show do cantor Milton Nascimento e apresentação da Orquestra Sinfônica de Brasília.
O objetivo do evento é articular a unificação dos interesses dos povos tradicionais que vivem na Amazônia e nos biomas caatinga, mata atlântica, cerrado, pampa e pantanal. O encontro é promovido pela Aliança dos Povos da Floresta, composta pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), o Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS), e o Grupo de Trabalho Amazônico (GTA).
Os debates serão realizados de quarta (19) a sexta-feira (21), no Centro de Convenções Ulisses Guimarães. Os participantes discutirão temas que estão na ordem do dia, como mudanças climáticas, redução da pobreza entre os povos tradicionais, conservação da biodiversidade, e o Programa de Aceleração do Crescimento voltado para o desenvolvimento socioambiental. Também serão discutidas alternativas à implementação de políticas públicas, que assegurem a sustentabilidade das populações que vivem nas florestas.
No sábado (22), haverá a mostra de arte e artesanato, que terá início às 11 horas, no Jardim Zoológico de Brasília. No domingo (23), será feito um plantio de árvores, com o objetivo de neutralizar as emissões de carbono do encontro. Simultaneamente, jovens e adolescentes de todo o país vão acampar em uma área do Jardim Zoológico, onde serão desenvolvidas várias atividades culturais.
Além disso, a sétima arte é uma das atrações do encontro. A mostra "Cinema para todas as tribos", promovida em parceria com a Universidade de Brasília (UnB), ocorre entre 19 e 21, das 14 às 19 horas, no centro de convenções.
As inscrições para o evento ainda podem ser feitas pela internet, no site povosdasflorestas.org.br, ou no local do evento.
Mobilização – Segundo o coordenador-geral da Coiab, Jecinaldo Saterê-Mawê, a retomada da aliança significa a abertura do diálogo do movimento com os governos e a cooperação internacional. "Nas últimas duas décadas, cada entidade atuou individualmente, mas agora é preciso uma agenda unificada. As comunidades indígenas não aceitarão o modelo de desenvolvimento econômico que leva à miséria a população da Amazônia", diz.
O diretor do Conselho Nacional dos Seringueiros, Júlio Barbosa de Aquino, afirma que o Brasil avançou na luta pela proteção aos povos das florestas. Contudo, ele defende que o debate exceda os limites amazônicos. "Precisamos discutir os problemas que ocorrem em outros biomas, que são igualmente importantes, ricos em biodiversidade e com uma população expressiva vivendo nesses ecossistemas", destaca.
"O segundo encontro será um momento para ampliar e fortalecer as nossas alianças e conscientizar sobre os efeitos das mudanças climáticas. Também vamos definir uma agenda para acelerar o processo de redução da pobreza entre as comunidades tradicionais, que vivem nas florestas", afirma o secretário-geral do GTA, Adilson Vieira.
De acordo com dados da GTA, o país possui 4,7 milhões de quilômetros quadrados de floresta, o equivalente a 55% do seu território nacional.
História do Encontro – A primeira edição do Encontro dos Povos das Florestas aconteceu junto com o 2º Encontro Nacional de Seringueiros, entre 25 e 31 de março de 1989, em Rio Branco, Acre. Participaram 187 delegados seringueiros e indígenas do Acre, Amazonas, Pará, Amapá e Rondônia.
Durante o encontro, a Aliança dos Povos da Floresta foi instituída com os propósitos de defender as terras das populações tradicionais e assegurar a implementação de políticas públicas que garantissem sua sobrevivência e sua cultura.
O líder seringueiro Chico Mendes, assassinado em 22 de dezembro de 1988, em Xapuri (AC), foi um dos grandes inspiradores do encontro, que foi organizado pelo Conselho Nacional de Seringueiros (CNS) e pela União das Nações Indígenas (UNI), além de apoiado por diversas outras entidades. O primeiro encontro incorporou a diversidade dos setores oprimidos da Amazônia, reunindo também castanheiros de Marabá (Pará), além de seringueiros do Acre, Amazonas e Rondônia.
Serviço:
2º Encontro Nacional dos Povos das Florestas Data: 18 a 23 de setembro de 2007 - Brasília - Distrito FederalInformações: http://povosdasflorestas.org.br/
Mais informações:
Assessoria de Imprensa Fabrício FernandesM&M Comunicação – RBCETel.: / 9118-5899imprensa@povosdasflorestas.org.br
Fonte: 2º Encontro dos Povos das Florestas
Extraído de:www.rma.org.br
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